Dólar deve elevar contas de luz

Dólar deve elevar contas de luz

O grande aumento no preço do dólar deve influenciar na conta de luz dos brasileiros. Em 2015, os efeitos da estiagem já representaram aumentos de mais de 50%, e agora é a moeda americana que vai pressionar os próximos reajustes tarifários das distribuidoras do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Isso porque o preço da energia da hidrelétrica de Itaipu é calculado em dólar.

O impacto da moeda americana pode representar aumentos entre 3,7% e 9,5% na conta de luz. As maiores altas devem recair sobre as distribuidoras que ainda não tiveram reajuste neste ano, como a Bandeirante, a CPFL Piratininga e a Light. No reajuste extraordinário, ocorrido em janeiro, quando o governo repassou para a tarifa parte das oscilações do câmbio, o dólar estava na casa de R$ 2,80. Nas últimas semanas, a moeda oscilou entre R$ 3,70 e R$ 4,22.

A Bandeirante atende 28 municípios no Estado de São Paulo, e o dólar pode representar 8,8 pontos percentuais dentro do reajuste anual, considerando um câmbio médio de R$ 4. O mesmo ocorre com a CPFL Piratininga, que atende 27 municípios do interior e no litoral de São Paulo, e que poderá chegar a 9,5 pontos percentuais no reajuste. Por sua vez, na Light, o reflexo no aumento anual poderá chegar a 8,4 pontos percentuais. Esses valores ainda estão sob avaliação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca, explica que as empresas sentem o impacto do aumento do dólar simultaneamente, mas só podem repassar para o consumidor na data dos reajustes. Segundo ele, se não houver alteração no cenário energético, o câmbio deve ser o item que mais vai contribuir para o aumento das tarifas em 2016. “Mas não podemos prever em que nível os reajustes ficarão. Há uma série de incertezas que não permite previsões”, afirma. Uma delas é a questão da hidrologia. Se não chover o suficiente, o País terá novamente de acionar as térmicas, mais caras.

Essas diferenças no preço serão repassadas para a tarifa paga pelo consumidor.