Setor privado prevê aumento de 30% na energia elétrica

Diversos fatores vêm pressionando o custo da energia elétrica, e as projeções do setor privado são de que as contas nessa área subam quase 30% em 2015. Os últimos reajustes se devem à aprovação dos aumentos para a usina de Itaipu e às mudanças recentes no teto do preço do megawatt por hora no mercado de curto prazo. Os efeitos das concessões de hidrelétricas que retornarão para a União em julho de 2015, e que vão trabalhar com tarifas inferiores às praticadas atualmente, também foram levados em conta.
Parte considerável dos custos que vão implicar aumentos em 2015 é resultado de medidas tomadas nos dois anos anteriores, tornando o cenário ainda mais preocupante. Como a escassez de energia não vinha sendo sinalizada, quando acontecia, os consumidores não eram levados a auxiliar na resposta à situação. Divulgar a escassez tende a promover uma redução espontânea no consumo, que traz diminuição das contas de energia e ajuda com a questão do abastecimento.

A resposta adotada até 2014 para tentar aliviar os reajustes veio por meio de medidas artificiais do governo para manter as promessas da presidente Dilma Rousseff em 2012 sobre as tarifas energéticas. Em 2013, o Tesouro Nacional fez alguns aportes na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), financiando uma redução de 20%; já em 2014, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) emprestou R$ 17,8 bilhões no mercado financeiro para socorrer as distribuidoras. Esse dinheiro tomado em empréstimos será pago pelos consumidores nos próximos 3 anos.

Esse cenário mudará um pouco devido à aplicação de bandeiras tarifárias, que passam a valer a partir desse mês. Os consumidores vão ter um sinal imediato do cenário de abastecimento e de suas implicações no preço da energia. As tarifas serão identificadas pelas cores verde, amarela e vermelha, variando segundo a necessidade de se comprar energia de termoelétricas.

De acordo com pronunciamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), é provável que as bandeiras tarifárias fiquem vermelhas durante 2015 por causa dos baixos níveis das represas. Também são esperados aumentos de 11% já em janeiro, seguidos de novos aumentos conforme o aniversário contratual das distribuidoras. No total são estimados 27,3% de alta, com a tarifa média subindo de R$ 360,7 para R$ 459,2 por MWh. A Firjan vem sugerindo que a indústria seja desonerada na parte da tarifa que corresponde ao pagamento dos aportes e empréstimos para diminuir um pouco o impacto dos custos de energia sobre o setor industrial.