Apagão atinge DF e 8 Estados: causa seria consumo em razão do calor

Apagão atinge DF e 8 Estados: causa seria consumo em razão do calor

No último dia 19/1 um apagão afetou o Distrito Federal e oito Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e Goiás. O apagão foi feito para promover um ‘alívio de carga’; a energia foi restabelecida nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Goiás, segundo as distribuidoras locais.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) contatou técnicos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para obter informações sobre os cortes de energia que atingiram Estados da Região Sudeste. Quando há interrupção de maiores proporções no fornecimento de energia elétrica, a ANEEL adota o procedimento padrão para apurar as causas do apagão, aplicando sanções, se necessário. Nesses casos, é convocada uma reunião com técnicos do Ministério de Minas e Energia e do Operador Nacional do Sistema Elétrico para produzir o Relatório de Análise de Perturbação (RAP). Com as conclusões desse documento, inicia-se o processo de responsabilização de possíveis culpados pelas falhas, seja da concessionária responsável pela geração, pela transmissão ou pela distribuição de energia. Como sanção, a ANEEL pode aplicar desde uma simples advertência até uma multa correspondente a até 2% da receita operacional líquida da empresa.

O elevado nível de consumo e o calor intenso geraram a falha no sistema, que foi desligado para evitar maiores prejuízos. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) não confirmou os locais atingidos, entretanto, informou que algumas áreas do País tiveram o fornecimento interrompido. O Ministério de Minas e Energia está a par da situação, e o ministro, Eduardo Braga, está em contato com o ONS em busca de um diagnóstico. É possível que o apagão tenha afetado outros Estados.

Em nota oficial, a Eletropaulo disse que o desligamento aconteceu por orientação do próprio ONS, que cortou mais de 700 MW de energia. A empresa informou, pouco tempo depois, que a totalidade de sua carga de energia foi restabelecida às 15h50.

A CPFL Energia também informou que executou cortes a pedido do ONS em municípios do interior e do litoral de São Paulo e em cidades do Rio Grande do Sul. A companhia disse que aplicou cortes de energia por volta das 15h, segurando aproximadamente 800 MW. O fornecimento foi restabelecido por volta das 15h55.

A AES Sul atende parte dos 1,3 milhão de clientes do Rio Grande do Sul. Cerca de 15 mil pessoas foram afetadas, entre 15h e 15h40. O corte foi de 176 megawatts, mas a empresa não deu o número exato de municípios que tiveram o fornecimento interrompido. Já a CEEE, que atende 100 municípios na região metropolitana de Porto Alegre e litoral do Rio Grande do Sul, disse ter cortado 100 megawatts, atingindo dez cidades.

A Light confirmou que foi orientada pelo ONS a interromper o fornecimento em determinados locais do Rio de Janeiro. A energia foi cortada a partir das 14h53 e restabelecida às 16h20. O apagão afetou também alguns municípios do interior do Rio. A concessionária Ampla, que atende a 66 cidades fluminenses, cortou 100 MW de sua área de cobertura. O fornecimento foi interrompido para 180 mil clientes em 13 municípios da região metropolitana e de cidades do Norte Fluminense e da chamada Região dos Lagos. Os municípios afetados foram São Gonçalo, Saquarema, Petrópolis, Cabo Frio, Araruama, Campos dos Goytacazes, Iguaba, Mangaratiba, Duque de Caxias, Niterói, Rio das Ostras, Casemiro de Abreu e Itaboraí.

A Celesc, que distribui energia em Santa Catarina, informou que, “visando atender à necessidade técnica do Sistema Interligado Nacional”, iria realizar um corte de carga de 150 MW, o equivalente a 3,7% da demanda no momento, e atingiu aproximadamente 140 mil unidades consumidoras por 45 minutos.

Também houve cortes em Minas Gerais feitos pela Cemig (Companhia Energética do Estado), mas a companhia não divulgou quantos megawatts foram cortados nem os locais afetados. No Paraná, a Copel disse ter cortado 320 megawatts por determinação do operador. No Espírito Santo, a EDP Escelsa informou ter feito redução de carga no sistema restringindo o fornecimento de energia em oito municípios do Estado. A capital do Estado, segundo a empresa, não foi afetada. Em Goiás, várias regiões foram atingidas, inclusive o sul de Goiânia. A Celg (Companhia Energética de GO) cortou 200 megawatts entre 15h e 16h.

Relatório

O ONS ressaltou em seu relatório técnico do dia 16/1 as metas e as diretrizes para operação do sistema elétrico. Haverá riscos de “perda de carga” durante a execução de intervenções na rede. Essas “contingências simples” têm efeito local e não afetam o Sistema Interligado Nacional como um todo. Ou seja, não implicariam um apagão generalizado. Ainda assim, essas “contingências” somente seriam liberadas em períodos favoráveis, isto é, nos horários em que a ocorrência de uma eventual contingência resulta no menor montante de perda de carga. As intervenções são, segundo o ONS, reparos programados na rede por agentes de distribuição, geração ou transmissão.